Retotalização do TSE Derruba Mandato de Neno Razuk e Altera Cadeiras na Assembleia
Por Equipe de Reportagem | Democracia e Direito
Os bastidores políticos de Mato Grosso do Sul sofreram um abalo sísmico nesta quinta-feira (21 de maio de 2026). O Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MS) cumpriu a determinação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e realizou a retotalização oficial dos votos das eleições de 2022. O resultado prático foi implacável: o Partido Liberal (PL) perdeu uma cadeira na Assembleia Legislativa (ALEMS), culminando na queda imediata do mandato do deputado estadual Roberto Razuk Filho, o "Neno Razuk".
A saída do parlamentar reconduz ao cargo o suplente João César Mattogrosso (PSDB), alterando o equilíbrio de forças partidárias no estado e jogando as buscas na internet para o topo dos tópicos mais comentados da Região Centro-Oeste nas últimas horas.
A Origem da Queda: O Efeito Dominó das Irregularidades do Fundo Eleitoral
A perda do mandato de Neno Razuk não decorreu de um processo direto contra o seu nome, mas sim de uma punição institucional ao quociente partidário do PL. O Tribunal Superior Eleitoral anulou em definitivo os votos recebidos por dois ex-candidatos da sigla: o ex-deputado federal Loester Carlos Gomes de Sousa (conhecido como Trutis) e sua esposa, Raquelle Lisboa Alves Sousa.
A Justiça Eleitoral acolheu a denúncia do Ministério Público que apontava desvio de finalidade e gasto ilícito do fundo eleitoral (má gestão de recursos públicos) na campanha de Raquelle.
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O Impacto no Coeficiente: Com a anulação dos quase 11 mil votos obtidos por Raquelle, o PL perdeu o peso numérico necessário para sustentar a última vaga conquistada nas urnas.
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A Sobra para Razuk: Na recontagem matemática, sobrou para Neno Razuk deixar a vaga por ter sido o deputado eleito com o menor número de votos nominais dentro do partido.
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A Dança das Cadeiras: A vaga foi imediatamente herdada pela federação PSDB/Cidadania, garantindo o retorno de João César Mattogrosso ao parlamento estadual.
A Perda do Foro Privilegiado e o Fantasma da Operação Sucessione
Para além da mudança no painel de votações da Assembleia, a derrocada política de Neno Razuk traz uma consequência jurídica imediata e de altíssimo impacto. Ao perder o mandato eletivo, Razuk perde também a prerrogativa de foro por prerrogativa de função (imunidade parlamentar), o que pode acelerar desdobramentos de sua situação penal no âmbito da Justiça comum.
"A perda do cargo em um momento como este desarma a defesa política. Sem a blindagem do mandato, processos que tramitavam de forma diferenciada passam a correr em ritmo comum, o que altera completamente o cenário de vulnerabilidade jurídica do ex-parlamentar", analisa um jurista consultado pelo portal Democracia e Direito.
Neno Razuk foi condenado em primeira instância a uma pena de 15 anos, 7 meses e 15 dias de prisão em regime fechado. Ele é apontado pelas investigações da Operação Sucessione como o suposto líder de uma organização criminosa ligada à exploração do jogo do bicho em Campo Grande e no interior, esquema que faturava mais de R$ 600 mil mensais de forma ilegal.
O Que Acontece Agora?
A Mesa Diretora da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul aguarda apenas a notificação formal do TRE-MS para oficializar a vacância da cadeira de Neno Razuk e convocar o tucano João César Mattogrosso para o ato de posse.
A defesa de Razuk ainda tenta recursos nos tribunais superiores em Brasília para contestar o cálculo da retotalização, mas a execução da perda de mandato é de cumprimento imediato. O PL no estado tenta blindar as lideranças municipais e reestruturar os planos partidários para o pleito que se avizinha.
O Raio-X da Mudança na ALEMS
| Parâmetro | Cenário Anterior | Novo Cenário (Pós-Decisão) |
| Bancada do PL | Vaga ocupada por Neno Razuk | Cadeira perdida por redução de quociente |
| Quem Assume | - | João César Mattogrosso (PSDB) |
| Motivo Técnico | Anulação de votos por fraude no fundo eleitoral de terceiros | Cumprimento de acórdão do TSE |
| Situação do Ex-Deputado | Protegido por foro parlamentar | Sem mandato e vulnerável ao cumprimento de pena da Op. Sucessione |
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